Série: Retrospectiva 2018 – Parte 4: Remuneração de mediadores nos tribunais: ainda um sonho?

Esse assunto é CAMPEÃO de acessos em nosso site. Por isso, fizemos uma matéria explicativa sobre Remuneração de Mediadores.

Quando a Resolução nº 125 foi publicada, ela trazia a previsão de uma remuneração futura, porém, em algum ou outro meio, falava-se que esse trabalho deveria ser totalmente gratuito.

Existia uma corrente de pensamento que parecia pretender que a profissão de MEDIAÇÃO estivesse fadada ao descaso, esquecimento ou à marginalização.

Mas muitos seguiram acreditando e trabalhando..

E muitos pioneiros da Gestão de Conflitos pagaram o preço para que o reconhecimento da importância e da nobreza dessa atividade chegasse – e foi muito mais depressa do que imaginávamos.

Enfim, o bom senso prevaleceu!

Cultura do favor, todos estamos sujeitos

Mas se você pensa que só os Mediadores e Conciliadores sofrem com a desvalorização dos seus préstimos, é bom lembrar que no Brasil ainda temos a cultura “do favor” que é a velha ação de pedir uma mãozinha de um profissional qualificado em troca da amizade..

Essa é uma queixa de trabalhadores altamente graduados, das carreiras tradicionais.

É muito comum advogados, médicos e designers, por exemplo, serem indagados sobre uma dúvida de alguém, que inicia a conversa com frases do tipo:

“ – Não custaria nada você dar uma olhada no meu exame/processo/projeto.”

Portanto, o estabelecimento de padrões remuneração é uma forma de moralizar a carreira

Como uma atividade pouco conhecida, aliada à nossa cultura do “favor”, o trabalho de Gestor de Conflitos pode ser confundido com uma atividade puramente filantrópica.

E que pode ser, em sua essência mas profunda, mas não se pode ignorar o fato de que os profissionais que a seguem precisam viver bem e ter uma perspectiva de carreira que seja estimulante, caso contrário será mais uma área sem muitos adeptos.

Curioso saber que, Lisa Parkinson, a visionária e pioneira da mediação na Inglaterra, cobrava pelo seu trabalho, independente, em 1978, justamente como uma forma de valorizar sua iniciativa (quando as pessoas eram hipossuficientes, ela cobrava honorários simbólicos, com o objetivo de moralizar essa atividade, desde o início).

Viver de Mediação

Aqueles que desejam viver da Mediação, sabe que esse assunto é de alta relevância, e vibram com o exemplo do Estado de São Paulo que estabeleceu as tão esperadas regras para a remuneração.

E o texto se manteve dentro das expectativas esperadas, inclusive com a exigência suscitada pelo CNJ quanto a estabelecer uma quota de gratuidade para  10% das Mediações encaminhadas pelos Tribunais, a cada Mediador cadastrado.

Nós do Centro de Mediadores apoiamos essa iniciativa e vibramos com isso!

Faz parte do desenvolvimento humano o espírito de doação e quem trabalha com Mediação deve ter a disposição para prestar o seu serviço mesmo sem que haja uma contrapartida.

Do ponto de vista humanitário, sabemos que estamos em um país com realidades muito diferentes da Japão, Inglaterra, França e Estados Unidos e que todos necessitam doar um pouco do seu tempo para que a nossa sociedade possa evoluir.

A parte da filantropia, do ponto de vista mercadológico, podemos encarar esses 10% como uma ação efetiva de promoção da Mediação, como uma espécie de “degustação” dessa nova ciência e do trabalho do próprio gestor, para a disseminação dessa nova cultura, facilitando o acesso da comunidade à justiça colaborativa.

[email protected] de Sucesso

A questão da remuneração e da alavancagem profissional é um tema que muito tem nos preocupado.

Pois em todas as profissões as pessoas que têm sucesso não são aquelas que só absorveram conhecimentos técnicos de suas especializações: essas pessoas acrescentaram um esforço extra na criação de oportunidades, investindo no planejamento e implementação de uma estratégia empreendedora.

E a remuneração que almejamos é justamente consequência disso.

Quer saber mais sobre esse tema? Fale conosco ou deixe seu comentário.

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