mediação

É comum o profissional que “está mediador” ter como discurso que, em sessão, ele deve brilhar, que é o seu momento de mostrar que conhece todas as técnicas, que sabe todos os princípios e que quer causar uma impressão impactante nas partes e nos advogados, se presentes. Ao agir assim, em sua visão, está quebrando o gelo com as partes, além de romper paradigmas e estabelecer o rapport.

Rapport é uma palavra francesa definida como a criação de conexões, por meio da empatia, para que a comunicação flua sem grandes resistências. Não significa que as pessoas se tornarão amigas em segundos e que todos terão o mesmo discurso fraterno. Ainda que haja discordâncias, o diálogo consegue se desenvolver em um clima respeitoso e urbano, sem confrontos.

O profissional vocacionado, “aquele que é mediador”, compreende a mediação como um instrumento adequado de solução de conflitos em que se resgata a comunicação e se busca a preservação dos vínculos outrora rompidos. Percebe então que os protagonistas da sessão são as partes do conflito, que possuem a autoridade para fazer suas escolhas sem qualquer influência nem imposição de terceiros.

Em uma visão mais ampliada, o mediador consegue captar a essência do que é dito nos manuais e na legislação correspondente quando se estabelece como um dos princípios norteadores da mediação o do empoderamento das partes: a devolução às partes do poder de gerir suas emoções, do controle de suas decisões e, dentro da sua própria percepção de vida, encontrar a melhor solução que se alinhe aos seus valores e interesses.