Série Retrospectiva 2018 -Parte 5: Mediação Online: futuro ou presente?

Estamos vivendo em uma época em que tudo está em constante mudança com o avanço da tecnologia.

E as distâncias entre nós e aquilo que necessitamos têm diminuído, graças aos dispositivos de conexão à internet que deixaram de ser uma mera utilidade no cumprimento de tarefas e se tornaram praticamente parte de nós:

  • contratamos uma série de serviços por aplicativo,
  • nos comunicamos com todo mundo pelos aplicativos de mensagens,
  • gerenciamos nossas contas bancárias,
  • pedimos comida e transporte, entre outras atividades do dia-a-dia.

Por outro lado, o mundo real e a rotina da vida tradicional apresenta muitos desafios, e não é diferente para as resoluções de conflitos. Dessa forma, a Mediação Online passou a ser uma alternativa que aos poucos vai ganhando simpatia e notoriedade.

Principais problemas na forma tradicional

As audiências de Mediação, apesar de buscarem ao máximo trazer celeridade, flexibilidade e informalidade aos processos acaba por muitas vezes sendo um processo burocrático e desgastante para as partes.

Por exemplo no caso de empresas que precisam estar sendo representadas em todas as audiências que são levadas até elas e para isso contratam uma grande quantidade de prepostos, mesmo quando não possuem nenhum interesse ou possibilidade de acordo. Apenas para cumprir um mero formalismo.

Outro exemplo é nas situações que envolvem partes de outros estados que precisam se deslocar para poderem estar presentes e assinar os termos da sessão. E no caso de partes que tenham qualquer problema de mobilidade.

Mediação Online: novas possibilidades

Percebemos um movimento em todo o mundo cada vez mais forte da transmissão de rotinas presenciais para o ambiente virtual, além dos exemplos já mencionados podemos citar também as reuniões, aulas de cursos e suporte técnico.

O próprio CPC de 2015 (Código de Processo Civil) já colocou a mediação com a intenção de flexibilizar, vislumbrando as necessidades que não são mais futuras.

E se os procedimentos judiciais necessitavam se adequar, a Gestão de Conflito, por ser uma atividade tanto Judicial como Extrajudicial, teve de dar passos ainda mais largos para cumprir sua missão e buscar a pacificação das disputas, virtualmente.

Conciliar é Legal

A questão da Mediação Online tem poupado tempo e dinheiro e vem triunfando pela criatividade e alto potencial de capilaridade.

Um dos exemplos disso é A Startup Mediação Online, que já tratou mais de 2.500, casos em pouco mais de três anos, virtualmente. Recebeu o reconhecimento merecido pela inovação, com o Prêmio CONCILIAR É LEGAL 2018.

A advogada Melissa Felipe Gava, fundadora da MOL, a primeira plataforma de mediação on-line do Brasil, declarou em entrevista ao portal de notícias do CNJ: “ a Nossa missão é trazer eficiência para o mundo jurídico, popularizando a mediação, em especial na versão online”.

Ainda, segundo a mesma matéria do portal: “O Prêmio Conciliar é Legal foi criado pelo CNJ em 2010 a fim de identificar, premiar e dar destaque às práticas que buscam a solução de litígios por decisão consensual das partes, em ações que contribuem para a pacificação de conflitos no âmbito da Justiça brasileira.”

Atendimento simultâneo

Além de atender às conveniências dos assistidos, a mediação online favorece àqueles que pretendem seguir a carreira de Mediador/a.

Além da comodidade de se poder desenvolver uma Sessão diretamente da casa ou do escritório de cada envolvido, o profissional da Mediação pode atender simultaneamente mais de um caso.

Havendo acordo, o profissional redige o documento e envia a ata para ambas partes, que imprimem, assinam e digitalizam, remetendo novamente ao Mediador. Esse documento é oficial e passa a valer juridicamente.

Como se pode notar, essa modalidade trouxe facilidades para todos, pois desburocratiza a resolução do conflito.

Mediação Online em aplicativo de mensagens

O TJ-RJ (Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro), com a flexibilização do CPC, também inovou e realizou sua primeira audiência de conciliação por meio do WhatsApp, em julho de 2018.

A iniciativa foi do projeto Justiça Digital do TJ-RJ, que tem a missão de tornar possível uma resolução de conflito, mesmo quando não se tem o paradeiro de uma das partes, mas ainda assim é possível fazer o contato com ela, através de aplicativos de mensagem do celular.

Graças à tecnologia, a filosofia da gestão de conflitos está ganhando adeptos no mundo Jurídico, e fora dele.

E todos ganham com isso. Você não acha? Deixe sua opinião nos comentários.

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