casal japones sorrindo

Série: Mediação no Mundo – Parte 1: Mediação no Japão

O progresso da  humanidade se confunde com a história da evolução na busca de resolução de conflitos.

Desde que começamos a nos comunicar através fala, provavelmente a história das negociações, e a história da conciliação e da mediação também iniciaram simultaneamente a sua trajetória.

Algumas culturas têm mais tradição na procura natural da autocomposição e na busca pacífica de soluções, para os eventuais enfrentamentos.

Nesta série de quatro artigos, vamos falar um pouco sobre alguns países que se tornaram referência na história da Conciliação e Mediação.

O primeiro deles é um dos países mais destacados do mundo, veremos portanto como é a essência da Mediação no Japão. Continue lendo e descubra um pouco mais sobre esse povo que tem o equilíbrio como uma das suas principais qualidades.

O Japão e a resolução primária

Em países como o Japão e a China, quando a negociação direta não é suficiente para se chegar a um acordo, as partes evitam ao máximo uma judicialização do problema.

Eles buscam um terceiro que esteja preparado para conduzir o diálogo entre ambos, com vista a um acordo equilibrado.

Por isso, a mediação é considerada o recurso de resolução primária, inserida na cultura oriental pelo conceito de que o ser humano está integrado à natureza e tem o poder de transformar seu ambiente, através de sua própria evolução. Dessa forma, a mediação, nesses países, busca provocar em cada parte uma reflexão para identificar quais atos, do próprio indivíduo, desencadearam esse embate.

“Na filosofia oriental é inadmissível a negociação em que só um lado ganha.”

robo olhando pra cima

A influência da Tecnologia na Mediação no Japão

O Japão é um dos países, tecnologicamente e soacialmente, mais avançados do mundo.

Reconhecidamente pacifista em relação à busca de soluções de conflitos internos, após a Segunda Guerra Mundial, também se tornou um exemplo na reconstrução física das suas cidades e na recuperação emocional da sua sociedade.

A partir disso, o milenar hábito de resolução de conflitos através dos métodos não adversariais, pode ter sido favorecido pelo uso da tecnologia. Talvez ela proporcione um entendimento melhor  sobre as várias facetas da convivência humana.

E se há um alto nível de entendimento das necessidades próprias – e do outro, há um amadurecimento nas relações. A percepção de que ambas partes podem, sozinhas, buscar uma saída, através da autocomposição, faz parte de um processo de crescimento pessoal.

Administração das próprias emoções: Empoderamento

Afinal, por que transferir para um terceiro uma situação que é nossa?

Os conflitos, quando são gerenciados pelas próprias partes, é de notável empoderamento e demonstração de eficácia na administração das próprias emoções.

Socialmente, a negociação, seguida da mediação (quando a primeira não resolve), é considerada como um primeiro socorro ou uma válvula de escape, no Japão.

Essa medida pretende evitar a ação do Judiciário, que tem como foco cuidar de questões mais complexas. Assim, o papel do mediador, baseado numa comunicação com conexão (amparada pelas relevantes ferramentas e técnicas de pacificação de conflitos e melhoria efetiva e contínua da comunicação entre as partes), gera economia aos cofres públicos.

Japão: tecnologia, tradição e economia de tempo

Esse país, com visibilidade tecnológica, disciplina como tradição, e formas alternativas de discussão de problemas, norteia as relações interpessoais para alcançarem um benefício excessivamente caro ao japoneses: a economia de tempo.

Utilizando a comunicação efetiva, a Mediação no Japão é um grande exemplo de como esse instituto evita desgastes entre as partes e o lento trâmite processual.

No próximo artigo vamos falar sobre a Mediação na Inglaterra: tradição inglesa e a Common Law, fique [email protected].

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