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Um das grandes dúvidas de todo profissional da mediação é saber como desenvolver as habilidades necessárias para uma boa atuação. Não existe uma fórmula pronta nem macetes. O que há é a força de vontade do mediador em se reconstruir constantemente na seguinte perspectiva.

Todo mediador é um ser humano dotado de valores, crenças, princípios, grau de instrução, percepção de mundo, uma profissão original e assim por diante. E nesse ponto, há que se fazer uma distinção relevante entre os que “estão mediadores” e os que “são mediadores” e sua conseqüente ligação com habilidades.

Entre os que “estão mediadores”, o desenvolvimento das habilidades fica restrito à atuação em uma sessão. É como se virasse um personagem que consegue desempenhar um bom papel no “palco” do Poder Judiciário: vestimentas apropriadas, tranqüilidade aparente, técnicas internalizadas e pelerine posto aos ombros. Consegue até cumprir um protocolo, mas, de forma interna, não consegue se dissociar de quem é: seus julgamentos acabam vindo a tona seja no seu tom de voz, seja na sua linguagem não verbal.

Por sua vez, os que “são mediadores” possuem um olhar especial para dentro de si, ou seja, conhece-se o suficiente para manter o autocontrole mesmo em situações de impasse e de muita carga emocional. Compreende que o seu papel não é julgar com frases do tipo “se fosse eu faria diferente, o acordo foi bom, acho que ele não falou isso etc.” e sim entender as perspectivas das partes ao estimular o diálogo construtivo.

Assim, consegue desenvolver a habilidade de se reconstruir a medida que deixa suas filosofias pessoais e sua concepção de vida em um segundo plano para ampliar o seu campo de visão ao alcançar as crenças das partes e seus interesses genuínos, sentir seus sentimentos, além de estimular a sua escuta para ouvir os pedidos implícitos (o que não foi dito mas que é importante) aptos a por fim ao conflito.