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A comunicação não violenta diz respeito ao desenvolvimento de habilidades na comunicação aptas a reformular a maneira como se expressa e como se entende o que é dito. Representa a capacidade de se continuar como humano, cordiais e respeitosos, com domínio de suas próprias emoções, mesmo frente a condições adversas. É manter o respeito para com o outro sem comparações.

Para tanto, há alguns componentes que são percebidos para se alcançar essas habilidades, quais sejam: a observação, o sentimento, as necessidades e os pedidos. A observação representa ter um olhar livre de avaliações e julgamentos. É inclusive ter uma linguagem corporal não condenatória sem a demonstração de desrespeito para com a fala do outro. Atitudes como bocejar, revirar os olhos, verificar a hora a todo instante, inquietação na cadeira todos esses comportamentos expressam um descaso para com a parte e fomentam a raiva.

Os sentimentos possuem um papel importante, inclusive se pensar em termos de comunicação não violenta na mediação. Quando devidamente validados, os sentimentos abrem portas aptas a desarmar pessoas polarizadas e ancoradas em suas posições. A sensibilidade do mediador é no sentido de estabelecer conexões emocionais com as partes a ponto de compreender o real interesse por detrás de cada questão, alcançando cada emoção despertada ou tolhida.

Perceba que nesse ponto há que se distinguir sentimentos de pensamentos. Pensamentos ficam adstritos à mente, ao lado esquerdo do cérebro, à racionalidade. São associações feitas com base em experiências que desencadeiam uma linha de raciocínio lógico ou minimamente coerente. Os sentimentos vão além. Estão na esfera da percepção, do sentir com o coração e com o corpo, ligados ao lado direito do cérebro e, por tanto, mais sensíveis.

As necessidades residem no que eu percebo, no que sinto e na forma como as coloco sem que soe uma exigência, uma ordem. Como gostaria que algo fosse feito sem que parecesse um autoritarismo. E aqui há uma ligação com o pedido, faces de uma mesma moeda. O pedido então é a manifestação de vontade, por meio de uma linguagem positiva, acompanhado do sentimento que o apóia, ao transmitir uma necessidade fruto de uma percepção não atendida.